Felizmente, nós vivemos em uma sociedade civilizada – ao menos na teoria. E, naturalmente, a civilização exige uma certa dose de simpatia e educação. Mesmo que você não queira se comunicar com alguém, por vezes é necessário que o faça.

E, muitas vezes, o contrário é verdadeiro: desejamos desesperadamente iniciar ou manter uma conversa, mas simplesmente não sabemos como fazê-lo.

 

Com esse pequeno guia, que engloba oito dicas bastante preciosas, nós iremos ensiná-lo a alimentar uma conversa e a mantê-la em um clima agradável.

 

1. Quando começar uma conversa

 

Saiba identificar o melhor momento de tomar iniciativa em uma conversa. Por vezes, não é conveniente fazê-lo – em geral quando a outra pessoa parece aborrecida, irritada ou se encontra muito concentrada, digamos, em um aparelho eletrônico ou em um livro.

 

Mas, em outros casos, não hesite em dar início a uma conversa. É perfeitamente possível que a pessoa a quem se dirige também deseje se comunicar com você, e só não saiba qual a melhor maneira de se expressar.

 

Se não for esse o caso, e você perceber que seu avanço não foi bem-vindo, apenas encerre a conversa e se dedique a outra coisa – ou a outra pessoa.

 

 

2. Ouça de verdade o outro

 

“A arte da conversação”, escreveu Florence Hartley em seu manual de etiqueta, “consiste no exercício de duas qualidades muito preciosas: a simpatia e a originalidade. O essencial é ser capaz tanto de se comunicar quanto de ouvir com atenção”.

 

Aborde assuntos voltados para interesses em comum e demonstre uma curiosidade sutil pelas coisas que interessam seu interlocutor. Ouça atenciosamente as opiniões dele, sem menosprezá-las, e exponha as suas com suavidade.

 

3. Equilíbrio na conversa

 

Não procure concentrar toda a atenção em você, recusando ao seu interlocutor a chance de se expressar. Ao mesmo tempo, evite o extremo oposto, que consiste no silêncio total e nas resposta monossilábicas.

 

4. Os assuntos

 

Tome cuidado com os assuntos que irá abordar. Nunca tente denegrir um amigo ausente. Não questione nunca a veracidade de qualquer declaração, a menos que saiba que trata-se de uma afirmação injuriosa a alguém, caso em que deve informar ao seu interlocutor, de maneira delicada e cortês, que ele está enganado.

 

Não mencione assuntos e incidentes que possam enojar seus ouvintes. Não discuta religião nem política, a não ser que esteja certo de que seus comentários não causarão desconforto aos presentes. Evite pronunciar frases maliciosas ou de duplo sentido.

 

Nunca repita a uma pessoa qualquer discurso cruel que possa ter ouvido a respeito dela. “Se for capaz de agradá-la ao repetir um elogio”, diz Florence Hartley, “faça-o. Mas não tente magoá-la nem envolvê-la em uma briga através da repetição de observações maldosas”.

 

 

5. Como falar

 

Fale pausadamente, a fim de oferecer ao seu interlocutor tempo o bastante para absorver todas as suas palavras. Aprenda a usar verbalmente a vírgula e o ponto final.

 

“Utilize um tom de voz claro a distinto”, sugere Florence Hartley. “Ao mesmo tempo, evite falar alto. Existe um meio termo entre o murmúrio e o grito. Com esforço, é possível encontrá-lo”.

 

Samuel Robert Wells acrescenta: “Cultive a linguagem e a voz. Aprenda a se expressar de maneira correta, com suavidade e elegância. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para atingir a perfeição nesse sentido”.

 

6. Não fique interrompendo

 

Continuamos com Florence Hartley: “Se o seu interlocutor relatar algum acontecimento, não o interrompa com questões. Se não compreendê-lo, espere até que termine de falar, e então faça as perguntas que quiser”.

 

Igualmente, nunca antecipe o final de uma piada ou anedota contada em sua presença, e nem antecipe o que será dito por alguém.

 

7. A importância do silêncio

 

Há dois tipos de silêncio.

 

O primeiro deles é o mais comum, e consiste naquele silêncio em meio ao qual você acaba por se sentir na necessidade de dizer ou fazer alguma coisa, como se não estivesse sendo capaz de cumprir adequadamente o seu dever.

 

O segundo é aquele um silêncio recheado de conforto e companheirismo.

Saiba identificá-los, e não os tema. O silêncio desconfortável pode ser dissipado, ao passo que o silêncio agradável aumenta o grau de intimidade entre as pessoas envolvidas.

 

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8. Opinião é opinião

 

Ao expressar sua opinião, evite dizer com firmeza: “Trata-se disso e ponto final”. Em vez disso, diga: “Suponho que”, “acho que”, “imagino que”, “penso que”, e assim por diante…

 

Não se trata de ocultar as suas opiniões, e sim de apresentá-las no momento conveniente e como o que de fato são: opiniões.

 

Palavras finais

 

Em resumo, Clarice Lispector – a verdadeira Clarice Lispector, que se revira no túmulo toda vez que frases de segunda categoria são atribuídas a ela na internet – resumiu, com base em uma de suas amigas mais populares, a melhor maneira de tornar-se um sucesso social:

 

-Não se vanglorie a respeito de si mesmo nem de suas relações

 

-Abstenha-se de dar a sua opinião quando vê que esta pode ferir alguém

 

-Não comente os problemas pessoais de seus amigos ausentes

 

-Procure assuntos agradáveis e construtivos

 

-Ao falar, olhe bem nos olhos de seu interlocutor

 

Útil, não é mesmo?

 

 

Fonte: El Hombre