Não dá para negar a notoriedade que o restaurante dinamarquês Noma ganhou depois de chegar ao topo da lista do The World’s 50 Best Restaurants por três anos (2010, 2012 e 2014). Provar os pratos de René Redzepi virou prioridade entre os foodies que buscam novas experiências. Mas a polêmica lista não é mais exclusividade de restaurantes: também existe a classificação dos melhores bares do mundo, que atende pelo nome de The World’s 50 Best Bars, organizada pela publicação inglesa Drinks International. E nesse ranking há um vencedor ainda mais consistente que o Noma: o bar o londrino Artesian conquistou o melhor lugar do pódio por quatro anos consecutivos.

 

A curiosidade em saber o porquê de tantas vitórias do Artesian é inevitável para os fãs das coqueteleiras. Por isso, logo quando cheguei a Londres para a premiação, em outubro do ano passado, fui direto para o hotel The Langham, um dos mais mais nobres da capital inglesa, onde fica o bar. Cenário de filmes como GoldenEye (1995), de James Bond, o hotel retomou a modernidade vivida no passado em 2009, quando foi totalmente reformado, incluindo o Artesian, que ganhou nova decoração e conceito. É aí que entra a figura do bartender checo Alex Kratena. Ele foi a peça chave para abandonar a tradição e adotar um novo formato, hoje reconhecido pelo público e crítica.

 

O conceito do Artesian pode ser dividido em três pilares: bons drinques, apresentação diferenciada e excelente serviço. A carta de coquetéis muda todos os anos. E me surpreendi com o tema de 2015: o surrealismo, baseado no livro Les Diners de Gala, com receitas e imagens de Salvador Dalí. Se a ideia era mostrar receitas e apresentações que fugissem da realidade atual de um bar, eles conseguiram.

 

 

Para começar, os 19 drinques (todos a £ 18) foram apelidados de forma bem “curiosa”. Alguns exemplos: fast money comes at a dangerous price (dinheiro fácil tem um preço perigoso), your room, or mine? (no seu quarto ou no meu?) e heaven is for sinners (o céu é para os pecadores). As apresentações não ficam atrás. O join the colony, feito com vodca, trigo, amêndoas, óleo de bergamota e zimbro, vem servido em dois copos em cima de uma formiga gigante de metal, que ocupa toda a mesa. Aqui, a ideia é compartilhar a experiência. O chameleon crystals, uma mistura de gim e pisco, é um dos mais pedidos no bar. Ele vem em uma caixa de madeira que, quando levada à mesa e é aberta, libera gelo seco e surge uma luz intensa, chamando a atenção de todos. Esses são alguns exemplos de como uma apresentação diferenciada desperta a curiosidade e faz com que as pessoas aceitem sair da zona de conforto dos coquetéis clássicos.

 

Mas é claro que bons goles e esculturas exóticas não funcionam sozinhos. É também necessário um bom serviço, algo que o Artesian segue à risca. Assim que um cliente entra no bar, ele é cumprimentado pelos bartenders, mesmo que seja com um aceno de cabeça. Logo que me sentei e antes mesmo de pegar o cardápio, recebi um copo de água, frutas secas, batatas fritas e uma taça de champanhe – uma ótima forma de dizer boas-vindas.

 

No cardápio de madeira, que lembra uma das tábuas dos dez mandamentos, vem as explicações do nome de cada drinque. E a equipe de garçons faz suas sugestões de bebidas com muita expertise, algo raro de se ver no Brasil: temos excelentes bartenders, mas quando o drinque sai de trás do balcão, o atendimento cai muito.

 

Durante minha visita, alguns dias antes da premiação do The World’s 50 Best Bars, eu perguntei à equipe se acreditavam em uma nova vitória em 2015. Eles achavam difícil ganhar quatro vezes seguidas. Mas o resultado mostrou que, nos quesitos criatividade, qualidade de drinques e serviço, o Artesian continua imbatível.

 

 

Fonte: Revista Menu