Quando se pensa em bebidas japonesas, a primeira coisa que vem à mente é o saquê. Mas não é só de fermentados de arroz que vive o país – por lá, também se produz vinho de qualidade.

 

Uma das maiores dificuldades dos vinicultores japoneses não é tanto o mercado – é o terreno. O espaço para agricultura no país não é vasto e, para complicar ainda mais, o tipo de solo e o clima estão longe de serem ideais para o plantio de uvas. Isso não impediu, no entanto, que os produtores conseguissem criar rótulos nacionais com ótima pontuação em avaliações estrangeiras, como a da revista norte-americana "Wine Spectator".

 

A Koshu é a uva tradicional do japão

 

As varietais como Cabernet Sauvignon e Merlot são as mais utilizadas, mas é uma cepa nativa que chama mais a atenção do público: a Koshu, uva de casca rosada que rende vinhos brancos secos e ssuaves. Uma variação destas uvas foi trazida para o país há um milênio, embora pesquisadores não consigam concluir qual sua origem exata. Ela é mais cultivada na região de Yamanashi, aos pés do famoso Monte Fuji. A região, que conta com cerca de oitenta vinícolas, é uma das principais produtoras de vinho no país.

 

Outra varietal típica do país é a Muscat Bailey A, que produz vinhos tintos. Esse tipo de uva foi criado nos anos 1920 por Kawakami Zenbei, considerado por muitos o “pai” dos vinhos japoneses. Foi ele quem começou a selecionar uvas que fossem capazes de enfrentar o clima cruel do país, com neve forte e chuvas pesadas.

 

Atualmente, os vinhos produzidos no país são divididos em três categorias: kokunaisan, rótulo 100% nacional; kokusan, feito com uvas importadas, mas fermentado no Japão, e yunyu, é produzido em outros países e apenas engarrafado no Japão. O país ainda não tem um selo de origem controlada nacional, embora algumas regiões já tenham certificados que garantem que os rótulos são mesmo fabricados no local.

 

 

A produção de vinho japonês é antiga

 

As primeiras tentativas de produção de vinho no país são de 718 antes de Cristo, mas o consumo da bebida só foi incentivado no século 16, com a chegada de missionários portugueses no país. No começo, o público aceitava melhor bebidas mais adocicadas, inclusive com o acréscimo de mel na produção – vinhos fortificados, como versões locais de Porto, foram um grande sucesso por várias décadas.

 

A importação de vinhos estrangeiros e a melhoria na produção dos rótulos locais se expandiu com o avanço da economia nos anos 1970 e 1980 – com isso, os vinicultores japoneses puderam investir mais em produzir vinhos locais com qualidade igual aos rótulos franceses e norte-americanos.

 

Em 1995, Shinya Tasaki se tornou o primeiro japonês a ser premiado como o Melhor Sommelier do Mundo - uma competição internacional que ajudou a colocar de vez o arquipélago asiático no mapa mundial do vinho.

 

 

 

Fonte: Comidas e Bebidas UOL